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Planejar a compra

Os custos da compra que ninguém conta: ITBI, cartório, avaliação e mudança

Saiba quais custos aparecem além da entrada na compra do imóvel, como o ITBI, a escritura, o registro, a avaliação do banco e a mudança, e como estimá-los.

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5 min
Nível
iniciante
Atualizado
Por
Redação Primeira Chave
Planta do guia 8 cômodos

Por que esses custos pegam tanta gente de surpresa

O simulador do banco mostra preço, entrada e prestação. Os custos de transferência raramente aparecem ali com destaque. E eles vêm em momentos diferentes: a avaliação no começo, as certidões no meio, o ITBI e o registro no fim, quando o dinheiro da entrada já foi usado.

Sem o registro, o imóvel não passa para o seu nome. E o banco só libera o dinheiro ao vendedor depois que o contrato é registrado. Ou seja, se faltar dinheiro para o cartório, a compra fica parada.

ITBI: o imposto da prefeitura

O Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) é cobrado pelo município quando o imóvel muda de dono. Cada prefeitura define a alíquota e a forma de calcular a base, geralmente o maior valor entre o preço declarado e um valor de referência da própria prefeitura.

Pontos de atenção:

  • Algumas cidades dão desconto ou cobram alíquota menor sobre a parte financiada pelo Sistema Financeiro da Habitação ou para o primeiro imóvel. Isso varia de lugar para lugar.
  • O pagamento costuma ser exigido antes do registro.
  • A guia é emitida no site ou no atendimento da prefeitura.

O guia ITBI: quem paga e como calcular aprofunda o tema.

Cartório: escritura e registro

Aqui é onde mais se confunde. São dois serviços diferentes:

  • Escritura pública: feita no tabelionato de notas, formaliza a compra. Quando o imóvel é financiado por banco dentro do sistema habitacional, o próprio contrato do banco costuma ter força de escritura pública, e a escritura separada não é necessária.
  • Registro: feito no cartório de registro de imóveis onde está a matrícula. É o registro que transfere a propriedade, como prevê a Lei de Registros Públicos. Ele também anota a alienação fiduciária a favor do banco.

Os valores cobrados (chamados emolumentos) seguem tabelas definidas em cada estado e mudam periodicamente. O jeito seguro de saber é pedir um orçamento ao cartório de registro da cidade do imóvel. O artigo escritura e registro do imóvel explica a ordem dos passos.

Avaliação, tarifas do banco e certidões

Antes de aprovar o crédito, o banco manda um engenheiro avaliar o imóvel. Essa avaliação costuma ter tarifa, cobrada na assinatura ou antes dela. Há ainda tarifas de abertura ou administração do contrato em algumas linhas. Confira tudo isso no custo efetivo total (CET) da proposta, como explica o guia de custo efetivo total.

As certidões do vendedor e do imóvel também custam: matrícula atualizada, certidões de ações e de débitos. Algumas são gratuitas, outras têm taxa. A lista está em certidões para comprar imóvel.

Um exemplo para montar o seu orçamento

Imagine um imóvel de R$ 200 mil. Os percentuais abaixo são hipotéticos, escolhidos só para mostrar a conta:

Item Exemplo
ITBI de 2% R$ 4.000
Registro do contrato R$ 2.500
Avaliação e tarifas do banco R$ 2.000
Certidões R$ 300
Mudança e pequenos reparos R$ 3.000
Total R$ 11.800

No exemplo, a pessoa precisaria de quase R$ 12 mil além da entrada. Na sua cidade os números podem ser bem diferentes, para cima ou para baixo. Substitua cada linha pelo valor da guia da prefeitura, do orçamento do cartório e da proposta do banco.

Os gastos do dia da mudança e outros extras

Depois da papelada, chegam os custos da vida nova, que também saem do mesmo bolso:

  • Frete ou caminhão de mudança.
  • Ligação de luz, água e gás, às vezes com taxa.
  • Chuveiro, luminárias, armários e cortinas, que um imóvel novo muitas vezes não tem.
  • Pintura ou reparos em imóvel usado.
  • Primeira parcela do condomínio e, dependendo da data, rateio de IPTU com o vendedor.

Em imóvel na planta, há ainda a correção durante a obra e os juros de obra, que o guia imóvel na planta ou pronto explica.

Custos que aparecem só em alguns casos

Nem toda compra tem os itens abaixo, mas vale perguntar antes de assinar:

  • Corretagem: costuma ser paga por quem contratou o corretor, geralmente o vendedor, mas o contrato pode prever outra divisão. Leia a cláusula com atenção.
  • Débitos do imóvel usado: condomínio e IPTU atrasados podem acompanhar o imóvel. Peça as declarações de quitação ao vendedor e ao síndico.
  • Despachante ou assessoria: é opcional. Você pode reunir certidões e levar o contrato ao cartório por conta própria.
  • Procuração: se alguém assinar por você ou pelo vendedor, a procuração pública tem custo no tabelionato.

Como não travar no fim

Algumas atitudes simples evitam surpresa:

  1. Peça a simulação do ITBI na prefeitura assim que tiver o imóvel em vista.
  2. Ligue para o cartório de registro e peça o orçamento com o valor do imóvel e do financiamento.
  3. Pergunte ao banco, por escrito, quais tarifas serão cobradas e quando.
  4. Inclua esse total na meta da entrada, como mostra o plano de quanto juntar de entrada.
  5. Guarde uma folga de 10% sobre o total estimado para imprevistos.

Se for usar programa habitacional, pergunte ao cartório sobre redução de emolumentos prevista em lei e quais documentos comprovam o direito.

Próximos passos

  1. Liste os seis grupos de custo deste artigo e preencha cada um com uma estimativa.
  2. Consulte no site da prefeitura como é calculado o ITBI na sua cidade.
  3. Peça orçamento ao cartório de registro de imóveis que atende o bairro do imóvel.
  4. Solicite ao banco a lista de tarifas e confira o CET da proposta.
  5. Some tudo à meta da entrada antes de assinar qualquer compromisso de compra.

Perguntas na portaria

Quanto custa, em média, a parte de imposto e cartório na compra?
Não existe um percentual único para o país, porque o ITBI é definido por cada município e os emolumentos de cartório seguem tabelas de cada estado. Para planejar, peça a guia de ITBI à prefeitura e o orçamento ao cartório de registro antes de fechar o negócio.
Quem paga o ITBI, o comprador ou o vendedor?
Na prática, quem costuma pagar é o comprador, e muitas leis municipais apontam o adquirente como responsável. Nada impede que as partes combinem outra divisão no contrato, desde que fique por escrito.
Dá para incluir o ITBI e o cartório no financiamento?
Algumas linhas permitem financiar parte das despesas de compra, conforme a política do banco e o valor de avaliação. Não conte com isso sem confirmar na proposta. Se for possível, lembre que você pagará juros sobre esse valor por muitos anos.
Quem compra pelo programa habitacional paga menos cartório?
A legislação prevê redução de emolumentos para imóveis de programas habitacionais em determinadas situações. As condições e os percentuais dependem da lei e das normas vigentes, então confirme com o cartório de registro da sua cidade.

Documentos conferidos

As fontes oficiais usadas neste guia. Valores e regras mudam: confira a versão vigente.

Aviso. Este conteúdo é educativo e não substitui orientação profissional. Limites do programa, juros, taxas e regras do FGTS mudam com o tempo; confira o valor vigente na fonte oficial antes de assinar. O Primeira Chave não vende imóvel, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituições. Leia o aviso legal.

Quem escreve: Redação Primeira Chave

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