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FGTS na casa própria

FGTS para pagar parte das prestações: como funciona e limites

Saiba como o FGTS pode cobrir até 80% da prestação do financiamento por 12 meses, quem tem direito, como o valor fica bloqueado e quando essa saída vale a pena.

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5 min
Nível
intermediário
Atualizado
Por
Redação Primeira Chave
Planta do guia 8 cômodos

A regra que está na lei

O artigo 20 da Lei 8.036/1990, no inciso V, autoriza o uso do FGTS para pagar parte das prestações de financiamento habitacional do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). A lei fixa três condições:

  • o mutuário (quem tomou o financiamento) precisa ter pelo menos três anos de trabalho sob o regime do FGTS, somando empresas diferentes;
  • o valor bloqueado deve ser usado durante, no mínimo, 12 meses;
  • o abatimento pode chegar, no máximo, a 80% do valor da prestação.

O parágrafo 2º do mesmo artigo diz que o Conselho Curador do FGTS disciplina essa modalidade, com foco nos trabalhadores de baixa renda. Por isso detalhes como documentos, prazos de análise e uso em atraso vêm das normas do Conselho e da Caixa, e podem mudar.

Quem pode pedir

Além dos três anos de carteira, as mesmas travas que valem para comprar com FGTS valem aqui:

  • Você não pode ser dono ou promitente comprador de outro imóvel na cidade onde mora.
  • Não pode ter um segundo financiamento no SFH em qualquer parte do país.
  • O imóvel financiado precisa ser residencial e servir de moradia.
  • O saldo não pode estar bloqueado por antecipação do saque-aniversário (a parte bloqueada não entra).

Se você já sabe que tem algum desses impedimentos, o guia quando não dá para usar o FGTS mostra os casos mais comuns.

Exemplo: como fica o boleto

Imagine uma prestação de R$ 2.000 por mês. O limite de 80% equivale a R$ 1.600.

  • Parte paga pelo FGTS: até R$ 1.600 por mês
  • Parte que continua com você: R$ 400 por mês
  • Valor bloqueado para 12 meses: R$ 1.600 vezes 12, ou seja, R$ 19.200

Se o seu saldo no FGTS for de R$ 25.000, o banco bloqueia o necessário para o ciclo e o restante segue disponível na conta. Se o saldo for de só R$ 10.000, o abatimento mensal tende a ser menor, porque o valor precisa durar o período mínimo. No exemplo, R$ 10.000 divididos por 12 dão cerca de R$ 833 por mês, e você pagaria R$ 1.167.

Na tabela SAC, a prestação cai com o tempo, então o valor exato de 80% muda a cada mês. Na Price, as parcelas são parecidas. O banco faz o cálculo e mostra a projeção antes de você assinar. Entenda a diferença entre as tabelas em SAC ou Price.

Pagar parcelas ou amortizar de uma vez

Com o mesmo saldo, você pode escolher entre usar nas parcelas ou amortizar o financiamento. Os efeitos são diferentes:

Ponto Pagar parte das prestações Amortizar o saldo devedor
Alívio no orçamento Imediato e forte por 12 meses Menor, mas permanente
Efeito nos juros totais Pequeno, a dívida segue igual Reduz os juros futuros
Prazo da dívida Não muda Pode encurtar
Intervalo para usar de novo Novo ciclo após o período Dois anos entre usos

Em termos de custo total, amortizar costuma render mais economia. Pagar parcelas faz sentido quando o problema é o caixa do mês: queda de renda, doença na família, período de desemprego do cônjuge. É uma ponte, não uma solução de longo prazo.

O passo a passo

  1. Confira o saldo do FGTS de todas as contas no aplicativo.
  2. Peça ao banco do financiamento a simulação do uso nas prestações, com o valor que ficará bloqueado e o abatimento mensal.
  3. Reúna os documentos que o banco pedir: identidade, carteira de trabalho, extrato do FGTS e o próprio contrato de financiamento.
  4. Assine a autorização de bloqueio e débito da conta vinculada.
  5. Acompanhe o primeiro boleto com o desconto. Até a aprovação, continue pagando a prestação cheia para não gerar atraso.
  6. Anote a data de fim do ciclo, porque a parcela volta ao valor integral quando o bloqueio acabar.

FGTS futuro: um caso à parte

Alguns contratos, sobretudo de renda mais baixa, permitem dar em garantia os depósitos futuros do FGTS no momento da assinatura do financiamento. O parágrafo 27 do artigo 20, com redação da Lei 14.620/2023, autoriza esse arranjo para pagar parte das prestações e dispensa, nesse caso, o prazo mínimo de 12 meses. Os depósitos que o empregador fizer passam a abater a parcela conforme o contrato.

Quem tem esse tipo de contrato precisa ler com atenção o que acontece numa demissão, porque os depósitos param. As condições são definidas pelo Conselho Curador e aparecem no contrato.

Cuidados antes de pedir

  • Pense na reserva. O FGTS é uma proteção para demissão. Usá-lo nas parcelas reduz essa proteção.
  • Planeje o mês 13. Quando o ciclo acaba, a prestação cheia volta. Use o período para reorganizar as contas, não só para respirar. O guia quanto custa morar depois da compra ajuda a rever o orçamento da casa.
  • Atraso tem prazo. Se você já está com parcelas atrasadas, procure o banco logo. No financiamento com alienação fiduciária, o atraso prolongado pode levar à consolidação do imóvel em nome do banco. Veja como isso funciona em alienação fiduciária explicada.

Próximos passos

  1. Calcule 80% da sua prestação atual e veja quanto sobraria para você pagar.
  2. Multiplique o abatimento por 12 e compare com o seu saldo no FGTS.
  3. Peça ao banco a simulação por escrito, com o valor bloqueado e a data de fim do ciclo.
  4. Compare com a opção de amortizar, olhando juros totais e alívio mensal.
  5. Monte um plano para o mês em que a prestação voltar ao valor cheio.

Perguntas na portaria

O FGTS pode pagar a prestação inteira?
Não. A Lei 8.036/1990 limita o abatimento a no máximo 80% do valor de cada prestação. Os outros 20%, no mínimo, continuam saindo do seu bolso todo mês.
Por quanto tempo o FGTS paga as parcelas?
O valor fica bloqueado na conta vinculada e é usado por pelo menos 12 meses, como manda a lei. Ao fim do período, se ainda houver saldo e você cumprir as regras, é possível pedir um novo ciclo ao banco.
Dá para usar o FGTS em prestações atrasadas?
As normas operacionais preveem, em certas condições, o uso do FGTS para regularizar prestações em atraso, com limite de quantidade. As regras mudam por decisão do Conselho Curador, então pergunte ao banco quantas parcelas atrasadas podem entrar no seu caso.
Quem tem financiamento fora do SFH pode usar o FGTS nas parcelas?
A lei permite usar fora do SFH desde que a operação respeite os mesmos limites de valor do sistema e as condições do Conselho Curador. A aceitação depende do contrato e da análise do banco, por isso confirme antes.

Documentos conferidos

As fontes oficiais usadas neste guia. Valores e regras mudam: confira a versão vigente.

Aviso. Este conteúdo é educativo e não substitui orientação profissional. Limites do programa, juros, taxas e regras do FGTS mudam com o tempo; confira o valor vigente na fonte oficial antes de assinar. O Primeira Chave não vende imóvel, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituições. Leia o aviso legal.

Quem escreve: Redação Primeira Chave

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