Planejar a compra
Comprar ou continuar no aluguel: como comparar sem achismo
Um método para comparar comprar e alugar com números: prestação, aluguel, juros, custo de oportunidade da entrada, tempo de permanência e custos da casa.
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- Redação Primeira Chave
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O erro mais comum: comparar aluguel com prestação inteira
A prestação do financiamento tem duas partes: amortização (o que reduz a dívida e vira patrimônio seu) e juros, mais seguros e tarifas. Nos primeiros anos, a fatia de juros é grande, principalmente no sistema SAC, em que a parcela começa alta. O guia SAC ou Price mostra essa divisão.
Por isso, a comparação justa é:
- Custo de alugar: aluguel, mais o que você pagaria de qualquer jeito como inquilino (condomínio, por exemplo, que em regra é cobrado de quem mora).
- Custo de ser dono: juros e seguros da prestação, IPTU, manutenção, condomínio e o rendimento que a entrada deixaria de ter.
A amortização não entra como custo, porque ela vira patrimônio. Os juros entram, porque não voltam, assim como o aluguel.
Os itens que entram na conta
Monte uma lista com valores mensais ou anuais:
- Aluguel atual ou de um imóvel equivalente ao que você compraria.
- Juros e seguros do financiamento no primeiro ano. A planilha de evolução do banco mostra quanto de cada parcela é juros.
- IPTU: em contrato de locação, quem paga é definido no contrato; a Lei do Inquilinato permite que seja repassado ao inquilino. Na compra, ele é seu com certeza.
- Manutenção: pintura, encanamento, telhado, eletrodomésticos fixos. Inquilino arca com reparos pequenos do uso; os estruturais são do proprietário.
- Custo de oportunidade da entrada: o rendimento que o dinheiro teria se continuasse aplicado.
- Custos únicos da compra: imposto de transmissão, cartório, avaliação, mudança. Veja a lista em custos além da entrada.
Um exemplo com números redondos
Imagine um apartamento de R$ 250 mil, com R$ 50 mil de entrada e R$ 200 mil financiados. Um imóvel parecido é alugado por R$ 1.200 por mês. Todos os números são hipotéticos.
Custo anual de ser dono no primeiro ano:
- Juros de 10% ao ano sobre R$ 200 mil, de forma simplificada: R$ 20.000.
- Seguros e tarifas do financiamento: R$ 1.500.
- IPTU: R$ 800.
- Manutenção, separando 0,5% do valor do imóvel: R$ 1.250.
- Rendimento perdido da entrada, supondo 8% ao ano sobre R$ 50 mil: R$ 4.000.
- Total: R$ 27.550, ou cerca de R$ 2.300 por mês.
Custo anual de alugar:
- Aluguel: R$ 14.400.
- Reajustes, seguro fiança e pequenos reparos: R$ 1.000.
- Total: R$ 15.400, ou cerca de R$ 1.280 por mês.
Nesse exemplo, ser dono custaria quase R$ 1.000 a mais por mês no primeiro ano, sem contar os custos únicos da compra. Com o tempo os juros caem, porque a dívida diminui, e o aluguel sobe com os reajustes. Em algum momento as linhas podem se cruzar. Se os juros fossem menores, o aluguel maior ou o imóvel valorizasse mais que a aplicação, o resultado mudaria.
A conta é sensível a cada número. Use os seus: a taxa real da proposta, o aluguel da sua região e o rendimento de uma aplicação conservadora no momento da decisão. Taxas de juros dos bancos são publicadas pelo Banco Central.
O que a planilha não mede
Números ajudam, mas não decidem tudo. Pesam também:
- Estabilidade: como dono, você não depende de renovação de contrato nem enfrenta pedido de devolução do imóvel. A Lei do Inquilinato define em que casos o proprietário pode pedir o imóvel de volta, mas a mudança forçada continua sendo possibilidade para quem aluga.
- Liberdade de mudar: alugar facilita trocar de bairro, cidade ou tamanho de casa quando o emprego ou a família mudam. Vender um imóvel leva meses e tem custos.
- Reformas: dono pode quebrar parede e personalizar; inquilino depende de autorização.
- Risco de concentração: com a compra, boa parte do seu patrimônio fica em um único bem, numa única cidade.
- Disciplina: a prestação obriga a formar patrimônio todo mês. Quem aluga só fica à frente se de fato aplicar a diferença.
Tempo de permanência muda tudo
Os custos únicos da compra são altos e aparecem logo de cara. Se você vende o imóvel poucos anos depois, paga corretagem, pode ter imposto sobre ganho e quase não reduziu a dívida. Quanto mais tempo fica, mais esses custos se diluem.
Uma pergunta simples ajuda: você se vê morando nesse bairro daqui a dez anos? Se a resposta for "não sei", alugar por mais um tempo enquanto junta uma entrada maior pode ser a escolha mais segura. O plano de quanto juntar de entrada serve justamente para esse período.
Quando o aluguel pode ser a melhor ponte
Continuar no aluguel não é desistir da casa própria. Em vários casos ele é a etapa que prepara uma compra melhor:
- Quando o nome ainda tem pendência e a aprovação viria com condições ruins. O guia preparar o nome para o financiamento mostra o caminho.
- Quando a renda pode mudar em breve, para mais ou para menos.
- Quando a entrada levaria toda a reserva de emergência.
- Quando você ainda não sabe se se enquadra em um programa com subsídio, que pode baratear bastante a compra.
Próximos passos
- Anote o aluguel de três imóveis parecidos com o que você compraria, na mesma região.
- Peça uma simulação de financiamento e localize, na planilha, quanto da primeira parcela é juros e seguro.
- Monte a conta com os seis itens da lista usando os seus números, não os do exemplo.
- Responda por escrito quanto tempo pretende morar no imóvel e o que poderia mudar esse plano.
- Refaça a comparação a cada seis meses, porque juros, aluguel e sua renda mudam.
Perguntas na portaria
Aluguel é dinheiro jogado fora?
Quanto tempo preciso morar no imóvel para a compra fazer sentido?
Se a prestação for igual ao aluguel, é melhor comprar?
Documentos conferidos
As fontes oficiais usadas neste guia. Valores e regras mudam: confira a versão vigente.
Quem escreve: Redação Primeira Chave
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