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Planejar a compra

Comprar ou continuar no aluguel: como comparar sem achismo

Um método para comparar comprar e alugar com números: prestação, aluguel, juros, custo de oportunidade da entrada, tempo de permanência e custos da casa.

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5 min
Nível
intermediário
Atualizado
Por
Redação Primeira Chave
Planta do guia 7 cômodos

O erro mais comum: comparar aluguel com prestação inteira

A prestação do financiamento tem duas partes: amortização (o que reduz a dívida e vira patrimônio seu) e juros, mais seguros e tarifas. Nos primeiros anos, a fatia de juros é grande, principalmente no sistema SAC, em que a parcela começa alta. O guia SAC ou Price mostra essa divisão.

Por isso, a comparação justa é:

  • Custo de alugar: aluguel, mais o que você pagaria de qualquer jeito como inquilino (condomínio, por exemplo, que em regra é cobrado de quem mora).
  • Custo de ser dono: juros e seguros da prestação, IPTU, manutenção, condomínio e o rendimento que a entrada deixaria de ter.

A amortização não entra como custo, porque ela vira patrimônio. Os juros entram, porque não voltam, assim como o aluguel.

Os itens que entram na conta

Monte uma lista com valores mensais ou anuais:

  1. Aluguel atual ou de um imóvel equivalente ao que você compraria.
  2. Juros e seguros do financiamento no primeiro ano. A planilha de evolução do banco mostra quanto de cada parcela é juros.
  3. IPTU: em contrato de locação, quem paga é definido no contrato; a Lei do Inquilinato permite que seja repassado ao inquilino. Na compra, ele é seu com certeza.
  4. Manutenção: pintura, encanamento, telhado, eletrodomésticos fixos. Inquilino arca com reparos pequenos do uso; os estruturais são do proprietário.
  5. Custo de oportunidade da entrada: o rendimento que o dinheiro teria se continuasse aplicado.
  6. Custos únicos da compra: imposto de transmissão, cartório, avaliação, mudança. Veja a lista em custos além da entrada.

Um exemplo com números redondos

Imagine um apartamento de R$ 250 mil, com R$ 50 mil de entrada e R$ 200 mil financiados. Um imóvel parecido é alugado por R$ 1.200 por mês. Todos os números são hipotéticos.

Custo anual de ser dono no primeiro ano:

  • Juros de 10% ao ano sobre R$ 200 mil, de forma simplificada: R$ 20.000.
  • Seguros e tarifas do financiamento: R$ 1.500.
  • IPTU: R$ 800.
  • Manutenção, separando 0,5% do valor do imóvel: R$ 1.250.
  • Rendimento perdido da entrada, supondo 8% ao ano sobre R$ 50 mil: R$ 4.000.
  • Total: R$ 27.550, ou cerca de R$ 2.300 por mês.

Custo anual de alugar:

  • Aluguel: R$ 14.400.
  • Reajustes, seguro fiança e pequenos reparos: R$ 1.000.
  • Total: R$ 15.400, ou cerca de R$ 1.280 por mês.

Nesse exemplo, ser dono custaria quase R$ 1.000 a mais por mês no primeiro ano, sem contar os custos únicos da compra. Com o tempo os juros caem, porque a dívida diminui, e o aluguel sobe com os reajustes. Em algum momento as linhas podem se cruzar. Se os juros fossem menores, o aluguel maior ou o imóvel valorizasse mais que a aplicação, o resultado mudaria.

A conta é sensível a cada número. Use os seus: a taxa real da proposta, o aluguel da sua região e o rendimento de uma aplicação conservadora no momento da decisão. Taxas de juros dos bancos são publicadas pelo Banco Central.

O que a planilha não mede

Números ajudam, mas não decidem tudo. Pesam também:

  • Estabilidade: como dono, você não depende de renovação de contrato nem enfrenta pedido de devolução do imóvel. A Lei do Inquilinato define em que casos o proprietário pode pedir o imóvel de volta, mas a mudança forçada continua sendo possibilidade para quem aluga.
  • Liberdade de mudar: alugar facilita trocar de bairro, cidade ou tamanho de casa quando o emprego ou a família mudam. Vender um imóvel leva meses e tem custos.
  • Reformas: dono pode quebrar parede e personalizar; inquilino depende de autorização.
  • Risco de concentração: com a compra, boa parte do seu patrimônio fica em um único bem, numa única cidade.
  • Disciplina: a prestação obriga a formar patrimônio todo mês. Quem aluga só fica à frente se de fato aplicar a diferença.

Tempo de permanência muda tudo

Os custos únicos da compra são altos e aparecem logo de cara. Se você vende o imóvel poucos anos depois, paga corretagem, pode ter imposto sobre ganho e quase não reduziu a dívida. Quanto mais tempo fica, mais esses custos se diluem.

Uma pergunta simples ajuda: você se vê morando nesse bairro daqui a dez anos? Se a resposta for "não sei", alugar por mais um tempo enquanto junta uma entrada maior pode ser a escolha mais segura. O plano de quanto juntar de entrada serve justamente para esse período.

Quando o aluguel pode ser a melhor ponte

Continuar no aluguel não é desistir da casa própria. Em vários casos ele é a etapa que prepara uma compra melhor:

  • Quando o nome ainda tem pendência e a aprovação viria com condições ruins. O guia preparar o nome para o financiamento mostra o caminho.
  • Quando a renda pode mudar em breve, para mais ou para menos.
  • Quando a entrada levaria toda a reserva de emergência.
  • Quando você ainda não sabe se se enquadra em um programa com subsídio, que pode baratear bastante a compra.

Próximos passos

  1. Anote o aluguel de três imóveis parecidos com o que você compraria, na mesma região.
  2. Peça uma simulação de financiamento e localize, na planilha, quanto da primeira parcela é juros e seguro.
  3. Monte a conta com os seis itens da lista usando os seus números, não os do exemplo.
  4. Responda por escrito quanto tempo pretende morar no imóvel e o que poderia mudar esse plano.
  5. Refaça a comparação a cada seis meses, porque juros, aluguel e sua renda mudam.

Perguntas na portaria

Aluguel é dinheiro jogado fora?
Não necessariamente. No financiamento, boa parte da prestação dos primeiros anos é juros, que também não voltam. A comparação justa coloca de um lado aluguel e do outro juros, seguros, impostos e manutenção, e não aluguel contra prestação inteira.
Quanto tempo preciso morar no imóvel para a compra fazer sentido?
Não há prazo fixo. Como a compra tem custos altos no começo (imposto, cartório, mudança), quem pretende ficar pouco tempo tende a perder com a compra. Quanto mais tempo você planeja ficar, mais esses custos se diluem.
Se a prestação for igual ao aluguel, é melhor comprar?
Não automaticamente. Você precisa incluir a entrada que sairia da aplicação, os custos da compra, o IPTU, a manutenção e o risco de mudar de cidade. A prestação igual ao aluguel é só um dos itens da conta.

Documentos conferidos

As fontes oficiais usadas neste guia. Valores e regras mudam: confira a versão vigente.

Aviso. Este conteúdo é educativo e não substitui orientação profissional. Limites do programa, juros, taxas e regras do FGTS mudam com o tempo; confira o valor vigente na fonte oficial antes de assinar. O Primeira Chave não vende imóvel, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituições. Leia o aviso legal.

Quem escreve: Redação Primeira Chave

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