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Primeira Chave

Planejar a compra

Quanto juntar de entrada e onde guardar enquanto junta

Veja como calcular a entrada do primeiro imóvel, somar os custos extras da compra, montar um prazo realista e escolher onde guardar o dinheiro com segurança.

Leitura
5 min
Nível
iniciante
Atualizado
Por
Redação Primeira Chave
Planta do guia 7 cômodos

Por que existe entrada

Nenhum banco empresta 100% do valor do imóvel em financiamento habitacional comum. Ele financia uma porcentagem do valor de avaliação (a chamada cota de financiamento) e você paga o resto. Essa cota muda conforme a linha de crédito, o programa habitacional, o sistema de amortização e a política da instituição.

Um detalhe que pega muita gente: a cota é calculada sobre o menor valor entre o preço de venda e a avaliação feita pelo banco. Se o vendedor pede R$ 250 mil e a avaliação sai em R$ 230 mil, o banco financia a porcentagem de R$ 230 mil, e a diferença de R$ 20 mil também sai do seu bolso.

A conta completa da entrada

Juntar só a diferença do preço não basta. A compra tem custos que aparecem no fim e não entram no financiamento na maioria dos casos. O guia sobre os custos além da entrada detalha cada um.

Uma fórmula prática:

Valor a juntar = (preço menos valor financiado) + custos da compra + mudança e primeiros gastos menos FGTS disponível

Exemplo com números redondos

Imagine um imóvel de R$ 200 mil e um banco hipotético que financie 80%.

  • Valor financiado: R$ 160 mil.
  • Diferença do preço: R$ 40 mil.
  • Custos da compra estimados em 4% do valor, só para o exemplo: R$ 8 mil.
  • Mudança, pequenos reparos e móveis básicos: R$ 5 mil.
  • Total antes do FGTS: R$ 53 mil.
  • FGTS disponível: R$ 15 mil.
  • Valor a juntar em dinheiro: R$ 38 mil.

Os percentuais acima são ilustrativos. A cota real, o imposto da sua cidade e as taxas do cartório você confere nas fontes oficiais antes de fechar o plano.

Quanto tempo vai levar

Com o valor em mãos, divida pelo que você consegue guardar por mês. No exemplo, guardando R$ 1.000 por mês, seriam 38 meses, pouco mais de três anos, sem contar o rendimento. Guardando R$ 1.500, cerca de 26 meses.

Para que o prazo seja realista:

  1. Olhe o extrato dos últimos três meses e descubra quanto sobra de verdade, não quanto você acha que sobra.
  2. Defina um valor fixo e programe a transferência para o dia em que o salário cai.
  3. Revise a meta a cada seis meses, porque o preço dos imóveis e o seu FGTS mudam.
  4. Mantenha uma reserva de emergência separada. A entrada não deve ser usada para cobrir imprevisto, ou o plano volta à estaca zero.

Se o prazo ficou longo demais, há três alavancas: escolher um imóvel mais barato, aumentar a renda guardada ou verificar se você se enquadra em um programa habitacional com subsídio. O guia sobre as faixas do Minha Casa, Minha Vida mostra como esse caminho funciona.

Onde guardar enquanto junta

O dinheiro da entrada tem duas exigências: não pode sumir e precisa estar disponível quando o negócio aparecer. Isso pede baixo risco e liquidez, que é a facilidade de transformar a aplicação em dinheiro na conta.

Algumas opções que costumam atender a esse perfil:

Opção Ponto forte Atenção
Tesouro Selic (título público) Baixo risco e rendimento que acompanha a taxa básica Imposto de renda regressivo sobre o ganho
CDB com liquidez diária Resgate rápido e cobertura do FGC até o limite vigente Confira o percentual de rendimento e o emissor
Poupança Simples e conhecida Costuma render menos que as anteriores

O Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional em parceria com a B3, e a página oficial explica como os títulos funcionam e quais são os custos. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) protege certos depósitos e aplicações até um limite por CPF e por instituição; o valor vigente está no site do FGC.

O que evitar com o dinheiro da entrada: ações, fundos que podem oscilar muito, aplicações com carência longa e qualquer promessa de ganho alto e rápido. Uma queda na hora errada pode adiar a compra por anos.

FGTS: some, mas não conte antes de conferir

O saldo do FGTS ajuda bastante, mas tem regras. É preciso ter tempo mínimo de trabalho sob o regime do FGTS, não ter outro imóvel residencial em determinadas situações e comprar um imóvel que respeite o limite de valor do Sistema Financeiro da Habitação. Quem aderiu ao saque-aniversário pode ter parte do saldo comprometida.

Antes de colocar o FGTS na conta, consulte o saldo no aplicativo oficial e leia o guia FGTS na entrada do imóvel. Se houver impedimento, o guia quando não dá para usar o FGTS lista os casos mais comuns.

Entrada maior ou menor: o que muda

Uma entrada maior reduz o valor financiado. Isso traz menos juros no total, parcela menor ou prazo mais curto, e às vezes facilita a aprovação, porque a parcela passa a caber melhor na renda. Veja como o banco faz essa conta em quanto posso pagar de prestação.

Por outro lado, colocar até o último real na entrada e ficar sem reserva é arriscado. Uma geladeira quebrada ou um mês sem renda pode gerar atraso logo no começo do contrato. O ideal é fechar a compra com a entrada, os custos pagos e alguma folga guardada.

Próximos passos

  1. Escolha uma faixa de preço de imóvel e faça a conta completa da entrada com a fórmula acima.
  2. Consulte seu saldo de FGTS no aplicativo oficial e confira se você cumpre as regras de uso.
  3. Defina quanto vai guardar por mês e programe a transferência automática.
  4. Abra uma aplicação de baixo risco e liquidez diária separada da sua conta do dia a dia.
  5. Simule o financiamento em um banco para descobrir a cota real da linha que você pretende usar.

Perguntas na portaria

Qual a porcentagem mínima de entrada para financiar um imóvel?
Depende da linha de crédito, do sistema de amortização e da política de cada banco, por isso não há um número único. O banco financia só uma parte do valor de avaliação e o restante vira entrada. Confira a cota de financiamento vigente direto na simulação da instituição.
Posso usar o FGTS como parte da entrada?
Sim, desde que você cumpra as regras do FGTS para moradia própria, como tempo de trabalho com carteira e não ter outro imóvel em certas condições. O saldo entra como parte do pagamento e reduz o que você precisa juntar em dinheiro.
Onde guardar o dinheiro da entrada?
Em aplicação de baixo risco e com resgate rápido, porque a data da compra pode mudar. Títulos públicos pós-fixados e aplicações cobertas pelo FGC são opções conhecidas. Evite colocar a entrada em aplicações que podem oscilar muito ou ficar travadas.
Vale financiar com a menor entrada possível?
Entrada menor significa dívida maior, mais juros pagos no total e, às vezes, parcela que não cabe. Ter uma entrada maior encurta o prazo ou reduz a prestação. A escolha depende da sua folga mensal e da sua reserva de emergência.

Documentos conferidos

As fontes oficiais usadas neste guia. Valores e regras mudam: confira a versão vigente.

Aviso. Este conteúdo é educativo e não substitui orientação profissional. Limites do programa, juros, taxas e regras do FGTS mudam com o tempo; confira o valor vigente na fonte oficial antes de assinar. O Primeira Chave não vende imóvel, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituições. Leia o aviso legal.

Quem escreve: Redação Primeira Chave

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