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Financiamento

Portabilidade do financiamento: levar a dívida para juros menores

Como funciona a portabilidade do financiamento imobiliário, quais custos aparecem na troca de banco e como fazer a conta para saber se compensa no seu contrato.

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5 min
Nível
intermediário
Atualizado
Por
Redação Primeira Chave
Planta do guia 7 cômodos

Como a portabilidade funciona

A portabilidade de crédito é regulada pelo Conselho Monetário Nacional e acompanhada pelo Banco Central. As regras principais são:

  • É um direito do cliente. O banco atual não pode impedir nem cobrar tarifa pela transferência.
  • A dívida é a mesma. O valor transferido corresponde ao saldo devedor, e o prazo não pode passar do que falta no contrato original.
  • O dinheiro não passa pela sua mão. O banco novo quita a dívida diretamente no banco atual.
  • O banco atual pode reagir. Depois do pedido, ele pode fazer uma contraproposta para reduzir os juros e manter você.

No financiamento imobiliário há uma etapa a mais: como o imóvel é a garantia, a alienação fiduciária precisa mudar de credor no Registro de Imóveis. É essa etapa que traz custos e tempo.

Os custos que aparecem na troca

A transferência em si não tem tarifa do banco atual, mas outros custos podem surgir:

  1. Avaliação do imóvel pelo banco novo, que pode cobrar pela vistoria.
  2. Registro ou averbação no cartório, para constar o novo credor na matrícula. O valor segue a tabela de emolumentos do seu estado.
  3. Seguros novos, porque o MIP e o DFI passam a seguir as taxas do banco novo, e a sua idade agora é maior que na assinatura original.
  4. Eventuais tributos e despesas previstos na nova proposta.

Peça ao banco novo a lista completa desses valores por escrito antes de seguir. Os seguros têm peso grande nessa conta; entenda como funcionam em seguro habitacional MIP e DFI.

Exemplo: quando a conta fecha

Imagine um contrato hipotético em SAC com saldo devedor de R$ 180.000 e 300 meses restantes. O banco atual cobra 0,9% ao mês. Outro banco oferece 0,75% ao mês, mantendo o prazo. Os números são redondos e ignoram seguros e correção do saldo.

Item (exemplo hipotético) Contrato atual Proposta nova
Juros ao mês 0,90% 0,75%
Amortização mensal R$ 600 R$ 600
Juros do primeiro mês R$ 1.620 R$ 1.350
Primeira parcela R$ 2.220 R$ 1.950
Juros totais até o fim cerca de R$ 243.800 cerca de R$ 203.200

A amortização é R$ 180.000 ÷ 300 = R$ 600. A diferença de juros ao longo do contrato fica perto de R$ 40.600. Se avaliação, cartório e outros custos somarem, por hipótese, R$ 4.000, a economia líquida seria de uns R$ 36.600, sem contar a diferença de seguros.

Agora mude o cenário: faltam só 60 meses e o saldo é de R$ 40.000. A mesma diferença de taxa gera uma economia muito menor, e os custos fixos da troca podem engolir quase tudo. Quanto maior o saldo e o prazo restante, mais a portabilidade tende a valer.

Compare pelo CET, não só pela taxa

A taxa de juros é só uma parte. Para a comparação ser justa, coloque lado a lado o Custo Efetivo Total do que sobra no contrato atual e o CET da proposta nova, com os mesmos prazo e saldo. Se o banco novo tiver seguro mais caro ou tarifa mensal, a vantagem dos juros pode sumir. O passo a passo está em custo efetivo total do financiamento.

Para ter uma referência do mercado, o Banco Central publica as taxas médias de juros por instituição no financiamento imobiliário. Os valores mudam com frequência; olhe a data da atualização.

Passo a passo do pedido

  1. Pegue os dados do contrato atual: saldo devedor, prazo restante, taxa, sistema de amortização e valor dos seguros. O banco é obrigado a fornecer essas informações.
  2. Peça propostas a outros bancos informando que se trata de portabilidade. Cada um fará análise de crédito e avaliação do imóvel. Veja o que pesa nessa análise em análise de crédito imobiliário.
  3. Compare CET, parcela e custos da troca de cada proposta.
  4. Formalize o pedido no banco escolhido. Ele solicita ao banco atual a transferência.
  5. Avalie a contraproposta, se o banco atual fizer uma. Pode ser mais simples ficar, sem custos de cartório.
  6. Assine o novo contrato e acompanhe o registro da mudança de credor na matrícula.

Durante todo o processo, continue pagando as parcelas em dia. Atraso no meio da troca pode travar a operação e trazer os riscos da alienação fiduciária.

Cuidados antes de trocar

  • Contratos com benefícios de programa habitacional podem perder subsídio ou taxa diferenciada. Pergunte antes.
  • Troca de sistema de amortização muda a parcela. Passar de SAC para Price reduz a parcela, mas aumenta os juros totais. Reveja SAC ou Price se a proposta mudar o sistema.
  • Prazo maior não é permitido na portabilidade. Se a oferta aumenta o prazo, é outra operação.
  • Produto extra não pode ser condição. Cartão, conta ou investimento não podem ser exigidos para aprovar a portabilidade.

Uma alternativa à troca é amortizar o saldo com o FGTS ou dinheiro guardado, conforme explicado em FGTS para amortizar o financiamento. As duas medidas podem até ser combinadas. A decisão depende do seu contrato; se tiver dúvida, leve as propostas para revisão com alguém de confiança.

Próximos passos

  • Peça ao seu banco o saldo devedor, o prazo restante e a taxa atual por escrito.
  • Consulte as taxas médias por instituição no site do Banco Central.
  • Solicite pelo menos duas propostas de portabilidade com CET e custos da troca.
  • Calcule a economia de juros menos os custos de avaliação e cartório.
  • Pergunte ao banco atual se ele faz contraproposta antes de fechar.

Perguntas na portaria

O banco atual pode impedir a portabilidade?
Não. A portabilidade de crédito é um direito do cliente previsto em norma do Conselho Monetário Nacional. O banco atual pode fazer uma contraproposta para manter você, mas não pode bloquear a transferência nem cobrar tarifa por ela.
Na portabilidade eu posso pegar mais dinheiro?
Não. A portabilidade transfere a dívida existente, com valor e prazo que não podem passar do saldo devedor e do prazo restante. Pegar dinheiro novo é outra operação, com análise e custos próprios.
Quanto tempo leva a portabilidade do financiamento imobiliário?
Depende da análise do novo banco, da avaliação do imóvel e do registro no cartório. Costuma levar algumas semanas. Até a conclusão, continue pagando as parcelas do contrato atual em dia.
Contrato do Minha Casa, Minha Vida pode ir para outro banco?
Contratos com subsídio ou com condições do FGTS podem ter regras próprias e perder benefícios na troca. Antes de pedir, pergunte ao banco atual e ao novo se as condições do programa seriam mantidas.

Documentos conferidos

As fontes oficiais usadas neste guia. Valores e regras mudam: confira a versão vigente.

Aviso. Este conteúdo é educativo e não substitui orientação profissional. Limites do programa, juros, taxas e regras do FGTS mudam com o tempo; confira o valor vigente na fonte oficial antes de assinar. O Primeira Chave não vende imóvel, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituições. Leia o aviso legal.

Quem escreve: Redação Primeira Chave

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