Financiamento
Portabilidade do financiamento: levar a dívida para juros menores
Como funciona a portabilidade do financiamento imobiliário, quais custos aparecem na troca de banco e como fazer a conta para saber se compensa no seu contrato.
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- Redação Primeira Chave
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Como a portabilidade funciona
A portabilidade de crédito é regulada pelo Conselho Monetário Nacional e acompanhada pelo Banco Central. As regras principais são:
- É um direito do cliente. O banco atual não pode impedir nem cobrar tarifa pela transferência.
- A dívida é a mesma. O valor transferido corresponde ao saldo devedor, e o prazo não pode passar do que falta no contrato original.
- O dinheiro não passa pela sua mão. O banco novo quita a dívida diretamente no banco atual.
- O banco atual pode reagir. Depois do pedido, ele pode fazer uma contraproposta para reduzir os juros e manter você.
No financiamento imobiliário há uma etapa a mais: como o imóvel é a garantia, a alienação fiduciária precisa mudar de credor no Registro de Imóveis. É essa etapa que traz custos e tempo.
Os custos que aparecem na troca
A transferência em si não tem tarifa do banco atual, mas outros custos podem surgir:
- Avaliação do imóvel pelo banco novo, que pode cobrar pela vistoria.
- Registro ou averbação no cartório, para constar o novo credor na matrícula. O valor segue a tabela de emolumentos do seu estado.
- Seguros novos, porque o MIP e o DFI passam a seguir as taxas do banco novo, e a sua idade agora é maior que na assinatura original.
- Eventuais tributos e despesas previstos na nova proposta.
Peça ao banco novo a lista completa desses valores por escrito antes de seguir. Os seguros têm peso grande nessa conta; entenda como funcionam em seguro habitacional MIP e DFI.
Exemplo: quando a conta fecha
Imagine um contrato hipotético em SAC com saldo devedor de R$ 180.000 e 300 meses restantes. O banco atual cobra 0,9% ao mês. Outro banco oferece 0,75% ao mês, mantendo o prazo. Os números são redondos e ignoram seguros e correção do saldo.
| Item (exemplo hipotético) | Contrato atual | Proposta nova |
|---|---|---|
| Juros ao mês | 0,90% | 0,75% |
| Amortização mensal | R$ 600 | R$ 600 |
| Juros do primeiro mês | R$ 1.620 | R$ 1.350 |
| Primeira parcela | R$ 2.220 | R$ 1.950 |
| Juros totais até o fim | cerca de R$ 243.800 | cerca de R$ 203.200 |
A amortização é R$ 180.000 ÷ 300 = R$ 600. A diferença de juros ao longo do contrato fica perto de R$ 40.600. Se avaliação, cartório e outros custos somarem, por hipótese, R$ 4.000, a economia líquida seria de uns R$ 36.600, sem contar a diferença de seguros.
Agora mude o cenário: faltam só 60 meses e o saldo é de R$ 40.000. A mesma diferença de taxa gera uma economia muito menor, e os custos fixos da troca podem engolir quase tudo. Quanto maior o saldo e o prazo restante, mais a portabilidade tende a valer.
Compare pelo CET, não só pela taxa
A taxa de juros é só uma parte. Para a comparação ser justa, coloque lado a lado o Custo Efetivo Total do que sobra no contrato atual e o CET da proposta nova, com os mesmos prazo e saldo. Se o banco novo tiver seguro mais caro ou tarifa mensal, a vantagem dos juros pode sumir. O passo a passo está em custo efetivo total do financiamento.
Para ter uma referência do mercado, o Banco Central publica as taxas médias de juros por instituição no financiamento imobiliário. Os valores mudam com frequência; olhe a data da atualização.
Passo a passo do pedido
- Pegue os dados do contrato atual: saldo devedor, prazo restante, taxa, sistema de amortização e valor dos seguros. O banco é obrigado a fornecer essas informações.
- Peça propostas a outros bancos informando que se trata de portabilidade. Cada um fará análise de crédito e avaliação do imóvel. Veja o que pesa nessa análise em análise de crédito imobiliário.
- Compare CET, parcela e custos da troca de cada proposta.
- Formalize o pedido no banco escolhido. Ele solicita ao banco atual a transferência.
- Avalie a contraproposta, se o banco atual fizer uma. Pode ser mais simples ficar, sem custos de cartório.
- Assine o novo contrato e acompanhe o registro da mudança de credor na matrícula.
Durante todo o processo, continue pagando as parcelas em dia. Atraso no meio da troca pode travar a operação e trazer os riscos da alienação fiduciária.
Cuidados antes de trocar
- Contratos com benefícios de programa habitacional podem perder subsídio ou taxa diferenciada. Pergunte antes.
- Troca de sistema de amortização muda a parcela. Passar de SAC para Price reduz a parcela, mas aumenta os juros totais. Reveja SAC ou Price se a proposta mudar o sistema.
- Prazo maior não é permitido na portabilidade. Se a oferta aumenta o prazo, é outra operação.
- Produto extra não pode ser condição. Cartão, conta ou investimento não podem ser exigidos para aprovar a portabilidade.
Uma alternativa à troca é amortizar o saldo com o FGTS ou dinheiro guardado, conforme explicado em FGTS para amortizar o financiamento. As duas medidas podem até ser combinadas. A decisão depende do seu contrato; se tiver dúvida, leve as propostas para revisão com alguém de confiança.
Próximos passos
- Peça ao seu banco o saldo devedor, o prazo restante e a taxa atual por escrito.
- Consulte as taxas médias por instituição no site do Banco Central.
- Solicite pelo menos duas propostas de portabilidade com CET e custos da troca.
- Calcule a economia de juros menos os custos de avaliação e cartório.
- Pergunte ao banco atual se ele faz contraproposta antes de fechar.
Perguntas na portaria
O banco atual pode impedir a portabilidade?
Na portabilidade eu posso pegar mais dinheiro?
Quanto tempo leva a portabilidade do financiamento imobiliário?
Contrato do Minha Casa, Minha Vida pode ir para outro banco?
Documentos conferidos
As fontes oficiais usadas neste guia. Valores e regras mudam: confira a versão vigente.
Quem escreve: Redação Primeira Chave
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